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sábado, 3 de março de 2012

Sheik Yerbouti: 33 anos!

Hoje, 03 de março, completa aniversário aquele que é para mim o melhor disco de Frank Zappa: Sheik Yerbouti.
Ninguém me pergunta isso porque não sou nenhum Fábio Massari (especialista em Zappa), mas eu conheço todos os discos dele, já escutei todos de cabo a rabo, e o que eu mais escutei foi esse, mas se me perguntassem qual disco do Zappa eu indicaria para alguém que não conhece seu trabalho, certamente seria esse.
"Sheik Yerbouti" é um disco mais 'roqueiro', talvez por isso seja de mais fácil assimilação do que álbuns mais complexos e jazzistas/fusion como "The Grand Wazoo" ou "Hot Rats", que não são indicados para quem vai começar a ouvir o Frank agora.
Lento e com sua voz de canastrão, Zappa abre o álbum com "I Have Been In You", que satiriza o hit "I'm In You", de Peter Frampton, que dá caminho para a clássica (adjetivo que poderia usar para todas as canções, então vou tentar que esta seja a primeira e última vez nesse texto) "Flakes", cheia de mudanças de tempos, nuances e já mostrando um performance monstruosa do baterista Terry Bozzio, que gravou o álbum todo. Na sequência uma trinca sensacional, que fica ainda melhor ao ouvi-las uma após a outra, sem parar: a marota "Broken Hearts are For Assholes", a rápida "I'm So Cute" e a rockabilly "Jones Crusher", que tem um final épico. Um dos maiores hinos do falecido Zappa está aqui: "Bobby Brown Goes Down", com sua específica e satírica letra. A animada "Baby Snakes" empolga demais, dando espaço para a quase agressiva "Tryin' To Grow a Chin", que tem uma das melhores performances de Bozzio na sua carreira. "City of Tiny Lights" e "Dancin' Fool", que foi indicada ao Grammy e se tornou uma música popular da disco music, embora ela tire sarro desse estilo, são outros destaques absolutos. O disco ainda tem diversas outras canções que também são sensacionais e passeiam pelos vários estilos musicais que o Zappa sempre dominou, como "Rat Tomago" e "Jewish Princess", que trata com humor sobre o estereótipo judeu.
Eu, se fosse alguém que não conhece a obra do Zappa, começaria por esse aqui sem nem pensar duas vezes.
Estão aqui todos os elementos que fizeram do Zappa um gênio (quiça o maior da música moderna): a inteligência, a complexidade de passear por vários estilos sempre sabendo o que está fazendo, o humor certeiro sem rodeios, a técnica, o feeling, a grandiosidade da obra.








Frank Zappa - Vocais, guitarra solo, compositor, arranjador, produtor
Adrian Belew - Guitarra base, interpretação de Bob Dylan em "Flakes"
Patrick O'Hearn - Baixo e vocais
Terry Bozzio - Bateria e vocais
Ed Mann - Percussão e vocais
Tommy Mars - Teclados e vocais
Andre Lewis - Teclado e vocais
Peter Wolf - Teclado
Davey Moire - Vocais
Napoleon Murphy Brock - Vocais de apoio
Randy Thorton - Vocais de apoio
David Ocker - Clarinete

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