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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Vida - Keith Richards



Devorei em menos de uma semana a autobiografia "Vida" de Keith Richards, guitarrista do The Rolling Stones, escrita com James Fox.
O livro tem um bom ritmo de leitura, daqueles que quando você dá por si já está há horas com o livro nas mãos sem parar de ler.
Não vou citar spoilers aqui (se é que pode-se usar esse termo quando se trata de uma autobiografia), mas muitas das histórias envolvendo o lendário rolling stone já são famosas, principalmente as que envolvem drogas e mulheres; afinal, poucos podem dizer que viveram (e ele ainda vive) o eterno lema sexo, drogas & rock 'n' roll, porém mesmo sendo já conhecidas são sempre mais divertidas quando contadas ou explicadas pelo mentor da farra toda.
Desde os passeios com seu avô Gus, o interesse pelo violão, pelo blues americano,  o primeiro contato com Mick Jagger, a formação dos Rolling Stones, o "roubo" de mulheres entre os membros da banda, as farras, batidas policiais, prisões, julgamentos, as brigas com Mick, a polêmica ao afirmar que o companheiro de banda possui um "instrumento sexual" pequeno (e eu disse que não escreveria spoilers, tsc), a morte de ex-integrantes, as trocas de integrantes, como ele mudou seu estilo de tocar ao descobrir a afinação aberta, as loucuras de turnês, relações pessoais, as noitadas de abuso de drogas com John Lennon, a relação Stones x Beatles, enfim... Keith registra tudo com uma sinceridade absurda e com um bom humor impecável, o que torna a leitura ainda mais rápida.
Claro que o que mais chama a atenção no disco não são nem as loucuras com drogas e orgias, e sim quando o assunto é Mick Jagger; durante o livro todo, Keith passeia entre os elogios e as ironias quando trata do amigo indiretamente em capítulos dedicados a outros temas, até quando chega no capítulo em que o tema da relação entre os dois é tratado diretamente.
"Vida" não serve somente para os fãs do guitarrista ou da banda, mas para qualquer um que se interessa por uma história divertida, desregrada, de um homem que ninguém sabe como continua vivo após tudo que se lê quando termina o livro. Keith Richards entra para minha lista de anti-heróis.

A primeira impressão é a que fica: U2 - Boy



Há alguns meses atrás eu estava pensando que as grandes bandas da história da música, mais especificamente do rock, tiveram um debut espetacular. Quando pensamos, por exemplo, no heavy metal/hard rock, em suas bandas mais mainstream: Black Sabbath, Iron Maiden e Van Halen com seus auto-intitulados álbuns de estréia, ou o Metallica com Kill 'em All; quando vamos para as vertentes mais modernas, temos o Pantera com Cowboys From Hell (embora existam controvérsias sobre ser o debut, que de fato não é, mas isso é tema para outro post); Machine Head com Burn my Eyes; Meshuggah, com seu Contradictions Collapse e também na área mais extrema com o fantástico Eaten Back to Life, do Cannibal Corpse ou o venerado Altars of Madness, dos ícones Morbid Angel.
É possível que eu venha a escrever sobre todos esses discos no período que encobre os próximos dez anos, haha... mas eu quis começar esse tema de uma forma mais calma (já que eu só citei exemplos de bandas que fazem parte da cena metal) porque eu já escrevo muito sobre bandas de heavy metal, e um dos debuts que eu mais gosto e que, de verdade, é o meu álbum favorito da banda é o Boy, do U2, lançado em 1980.
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A capa do álbum, em preto & branco, que traz um garoto numa foto "inocente", traduz quase um sentido conceitual para o disco com um tema comum entre as canções: o fim da adolescência, dúvidas, frustrações e etc, além de problemas particulares do vocalista Bono. Tudo aquilo que nós todos passamos em algum momento da vida o U2 traduziu para música em seu primeiro álbum.
Através do disco podemos ouvir frases como:
"A boy tries hard to be a man, his mother takes him by his hand, if he stops to think, he starts to cry, oh why?" (I Will Follow)
"My body grows and grows, It frightens me, you know" (Twilight)
"Monday morning, eighteen years dawning (...) It was one dull morning, I woke the world with bawling, I was so sad, they were so glad" (Out of Control)
Musicalmente, é o meu preferido do U2 porque os músicos soam mais "livres", na minha opinião todos eles foram ficando mais comedidos com o passar dos anos; o baterista Larry Mullen, que sempre foi o meu membro "favorito" da banda, tem um performance incrível em quase todas as canções (destaque para "Stories for Boys"), enquanto The Edge soltou riffs faiscantes, e tipicamente oitentistas, em canções como "Twilight" (que tem também um solo incrível), "The Electric Co.", "Another Time, Another Place" "I Will Follow"; o que dizer das marcações do baixista Adam Clayton na dobradinha "An Cat Dubh" e "Into the Heart"?.
Ainda sobre The Edge, é legal dizer que desde esse primeiro disco o guitarrista já conseguiu impor o seu estilo de tocar, sendo assim a maior marca registrada do som característico da banda. Algumas canções do U2 lançadas anos depois são as mais conhecidas da banda (vide "With or Without You" e etc) e muitas pessoas não conhecem as canções de Boy, mas ao ouvirem os primeiros acordes da maioria das canções, conseguiriam 'matar' que se trata do U2 logo de cara por essa característica de timbre e estilo de tocar do guitarrista.
Sobre a influência que esse estilo do The Edge (e o U2) teve sobre vários músicos nos anos 80/90 (já escutaram "Cover my Eyes", do Marillion? Ou "I Walk Beside You", do Dream Theater?), deixo uma declaração de Alex Lifeson, guitarrista do Rush, contida na edição especial da revista Roadie Crew, intitulada Classic Series, quando o guitarrista fala sobre as influências que obteve na hora de compor para o álbum "Moving Pictures" (1981), de sua banda:
"Usar efeitos e fazer o meu som soar mais processado me possibilitou explorar mais espaço dentro da canção e também criar diferentes texturas. The Edge e Andy Summers estavam entre meus guitarristas favoritos naquela época, então isso me influenciou bastante"
Acho que para quem não é músico, a primeira parte da frase de Alex faz com que dê pra entender o estilo do The Edge: ele usa e abusa de efeitos (delay, reverb) que faz com que todo espaço da canção seja preenchido, é um estilo muito próprio e que se você tiver o interesse de obter mais detalhes, clique nesse post que é muito interessante.
Enfim... iria deixar aqui link apenas para as minhas favoritas, mas o álbum todo está disponível em um único vídeo no youtube:

domingo, 18 de março de 2012

Maestrick: nova realidade do prog metal brasileiro

Uma excelente banda de metal progressivo lançou seu debut recentemente.
Intitulado "Unpuzzle!", é um disco conceitual dos rapazes do Maestrick, de São José do Rio Preto (SP), editado pela Die Hard Records.
O álbum agradará em cheio fãs de bandas como Dream Theater, ou fãs do Angra (principalmente a fase pós-Rebirth).
Na verdade, o metal progressivo é apenas o alicerce do trabalho em si. É o que serve de base para as experimentações em diversos estilos e direções.
A parte conceitual do álbum trata de um tema curioso, não me recordo de, nem no rock progressivo, ver algo parecido, que é a exposição de obras de arte em um museu.

A abertura com "H.U.C.", agradará em cheio aos fãs tradicionais do metal progressivo, os fãs de Dream Theater, por exemplo. "Aquarela" tem linhas bonitas de piano/teclado, uma interpretação vocal sensacional de Fábio Caldeira e um refrão grandioso, além de um belo solo de guitarra. "Pescador", cantada em português, é uma balada que lembra e muito as baladas do Angra na fase Edu Falaschi, principalmente pelos tempos quebrados em meio ao ritmo lento.
"Sir Kus" é uma vinheta que lembra algo que o Queen fazia muito nos primeiros álbuns e, assim como o título sugere, tem algo de circense. "Puzzler" é outra que me lembrou da banda de Freddie Mercury, principalmente pelas linhas vocais, mesmo numa canção rápida (tanto em velocidade, como em duração).
"Disturbia" traz de volta o clima mais prog das duas primeiras faixas; "Treasures of the World" é uma bela e calma balada, com uma linha vocal bem feita, e violões dando o tom da canção. Destaque também para o baterista Heitor Matos, um dos destaques do álbum como um todo. "Radio Active" empolga por ser 'para cima' e ao mesmo tempo toda quebrada, mais uma vez os fãs de Dream Theater se deliciarão com os riffs dos guitarristas Danilo Augusto e Maurício Figueiredo, e o baixo "gordo" de Renato Somera. "Smilesnif" começa calma e vai aumentando a intensidade até o final grandioso, depois de um belo solo de guitarra. "Yellown of the Ebrium" possui climas diversos, e tem até um trecho em português mezzo bosa nova no meio.
O disco finaliza com "Lake of Emotions", o épico prog do disco com 21 minutos de duração, cheia de nuances, partes calmas, lentas, pesadas, quebradas e etc. Ou seja, a minha favorita do disco!

Em suma: o disco agradará os fãs de metal progressivo, fãs de power metal, e fãs de músicas  mais teatrais, como Queen fazia muito, por exemplo. Um belo lançamento de prog metal! Nota 10.


Aê, Champz, vai trabalhar na Globo, hein?!

O diálogo clássico que todo estudante de jornalismo tem que com centenas de pessoas durante a vida:

A pessoa: "você estuda o que?"
Você: "jornalismo"
Segue a réplica clássica: "ahhh, legal, hein, quero te ver na Globo no Jornal Nacional, hein?!"...

HEHEHE.

É, nem sei porque diabos estou escrevendo isso (ou sobre isso) a essa hora... o fato é que eu dei um tempo dos trabalhos para ficar alguns minutos sem preocupações, e o facebook tá parado e eu não tenho namorada pra ficar trocando sms (ou estar num motel a essa hora, e etc), então eu resolvi postar qualquer merda aqui.

Primeiro, por que jornalismo?

É simples... eu amo música, amo escrever sobre música, amo opinar sobre música, amo resenhar discos, e etc, etc... Bento Araújo, do Poeira Zine, escreveu em certa publicação:

"Com a gente que vive de escrever sobre música não é diferente. Música é a nossa vida e faz parte fundamental do nosso dia a dia. Foi assim que eu entrei nessa de jornalismo, para poder trabalhar, mergulhar, pesquisar, trocar experiências, tocar, garimpar e me embebedar com música e mais música"

Bento simplesmente respondeu a questão. Escolhi o jornalismo porque amo escrever sobre música e quero fazer isso direito.

Tem certos momentos que algumas coisas me estressam durante as aulas, ou certos temas de aulas... chega uma hora que eu falo comigo mesmo: "porra, eu só escrever sobre música, entrevistar uns músicos aí, cobrir uns shows, resenhar uns discos... não quero saber dessa merda toda aí"

É por isso que eu tento escrever sobre música em todo trabalho que tenho que fazer para as aulas, independente do tema... ano passado mesmo, fiz um texto sobre Humberto Gessinger na matéria de Comunicação e Expressão, e citei Bruce Dickinson numa prova de Produção de Texto Jornalístico. Na prova tirei 10,0. Foi o primeiro 10,0 "escolar" da minha vida. HAHA.

Mas essa revolta dura alguns segundos, quando abro a mente vejo que tem algo interessante em tudo aquilo e que, inevitavelmente, vou acabar numa área dessas no futuro. A não ser que eu tenha de fato nascido com o rabo virado para a lua e já consiga trabalhar no que eu quero.

Segundo, por que tão tarde?

Eu nunca quis saber de fazer faculdade até ter uns 20 anos, em 2005. Depois me desinteressei de novo... minha amiga querida Mariana Koga (que saudades... ) sempre me ENCHEU O SACO me dizendo que eu ia cursar faculdade velho e isso e aquilo, e eu sempre respondi que não ia entrar enquanto não quisesse... e chegou a hora que eu quis. Durante um tempo (um curtíssimo tempo, por sinal) eu me arrependi... pensava: "Putz, podia estar formado já" e blá blá blá... só que aí eu vejo uma galera lá na flor da idade, com seus 18 anos... e, putz, uma mentalidade daquelas que é impossível ficar perto, ouvir os papos. 
Ao mesmo tempo que tem gente com praticamente a mesma idade, que faz parte da mesma geração e que é  madura, tem conversa, enfim, são pessoas mais adultas e tudo mais - sem perder a diversão da porra toda, é claro. Enfim, idade não significa maturidade. 
Existe o contrário também... Tem muita gente lá que... digamos que "nasceu nos anos 70", e que é pior do que a geração '93. Enquanto tem outras pessoas que são um pouco mais velhas que eu e são praticamente almas gêmeas minhas (minha querida amiga Rose; um beijo pra você, sua loira linda - se eu falar mal de loiras, sinta-se excluída, mesmo você sendo loira fake! haha). 
Mas se eu sou babaca com 26, imagina como eu era muito mais babaca com 18? Então, foi melhor entrar agora mesmo.
Resumindo: acho que nesse quesito eu realmente levei a sério aquela coisa de "faço o que eu quero na hora que eu quiser".

Outra coisa... sempre penso nas pessoas que cruzam meu caminho. Por exemplo, quando decidi fazer cursinho de novo, em 2006, eu não imaginava que ali estava decidindo algo que fez daquele o melhor ano da minha vida. E se eu não tivesse feito? Não teria conhecido meus melhores amigos e etc... mesma coisa agora, eu poderia estar formado, ou já num semestre mais adiantado... porém, não teria feito amigos como os que eu fiz até o momento, não teria me divertido o que eu me diverti até agora. Teria vivido outras coisas nas duas situações, mas isso nunca saberei. O importante é que eu não trocaria 2006, e nem 2011/12 por nada diferente. Tudo foi no tempo certo. Me imagino com 18 anos em certas situações que passo agora, eu agiria de uma forma diferente - e pior.

Eu posso estar ficando velho e cri cri, mas eu já sou daqueles que soltam aquela frase batida: "daqui uns anos a gente vai conversar sobre isso e você vai entender o que eu quero dizer". 

Uma vez, uma "namorada" terminou comigo dizendo isso. E ela nem era tão mais velha... acho que ela é de 1982. Eu sou de 1985. Ela me disse: "nunca achei que nossa diferença de idade fosse influenciar, mas...". Na época eu achei um absurdo. Hoje em dia eu penso nas coisas que eu dizia e fazia, e reflito: "ela estava tão certa como nunca esteve antes, nem depois". Só quando eu atingi a idade que ela tinha na época que fui compreender o que ela quis dizer...

Claro que eu não generalizo. Há babacas de todas as idades, há gente massa de todas as idades.
Analisando a mim mesmo por mim mesmo, eu acho que estou menos babaca de uns dois anos pra cá. Embora ainda seja um, hehehe.

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Enfim, a essa hora da madrugada eu comecei escrevendo sobre uma coisa, terminei em outra... de "por que tão tarde", fui parar em em "idade não é maturidade"... 

O resumo desse post é:

1) nem todos que fazem jornalismo vão trabalhar na Globo ou querem trabalhar na Globo e não existe só a Globo para um jornalista trabalhar;
2) escolhi jornalismo porque quero escrever sobre música;
3) não acho que, com 25 anos, entrei tarde para a faculdade; acredito que foi na hora certa devido à minha própria "evolução mental";
4) idade não é maturidade, cada um "evolui" de um jeito. PS. mas que tem gente por aí que acha que é super crescido e na verdade é vítima de sua própria ignorância, ah, tem... deixa o dia que eu escrever sobre isso envolvendo música aqui.

domingo, 11 de março de 2012

TOP 5 - Deep Purple

Com incontáveis formações, o Deep Purple se firmou, já no início dos anos 70, como um dos membros do trio de ferro inglês (ou santíssima trindade, como alguns gostam de se referir) junto com Black Sabbath e Led Zeppelin. Possui uma discografia rica, desde os tempos mais psicodélicos dos primeiros álbuns, passando por fases mais funkeadas e tendo o hard rock como ditador do ritmo durante todo o tempo. Confesso que tenho uma predileção por certa fase do grupo, e por isso não foi tão difícil montar esse top 5.


#5
Perfect Strangers (1984)





O meu riff favorito, após uma introdução de teclado, abre o disco com "Knocking At Your Back Door", a minha canção favorita da banda. O refrão, a "ginga" do riff (característica de Ritchie Blackmore, coisa que a banda não tem com a atual formação, que é mais quadradona), a interpretação de Gillan, Jon Lord segurando a onda lá no fundo... tudo isso faz dessa canção uma das mais empolgantes da banda. Os desafetos Ian Gillan e Ritchie Blackmore brilham juntos na balada "Wasted Sunsets", uma das mais belas de toda a discografia da banda. "Under the Gun", "Nobody's Home" e "Mean Streak" são típicos hard rocks que o Deep Purple faz, com ótimos refrãos, estrofes empolgantes e riffs rápidos, outra que segue a mesma linha é "A Gypsy's Kiss". A canção mais conhecida do álbum, e uma das melhores, é provavelmente a faixa-título, muito executada nas antigas e atuais "rádios rock" do Brasil.




#4
Come Taste the Band (1975)





Após a saída de Ritchie Blackmore, descontente com o direcionamento musical que a banda estava tomando, para formar o "Rainbow", o Deep Purple convidou o guitarrista Tommy Bolin para assumir o posto. No estilo de tocar, Bolin era um pouco mais "sujo" e "despojado" que Blackmore, porém era tão brilhante quanto, e já tendo tocado com Billy Cobham, James Gang, entre outros. A faixa de abertura, a rápida "Comin' Home" já mostra um pouco disso com o guitarrista solando sobre Coverdale cantando, numa faixa que é uma espécie de protótipo de speed metal (coisa que o Blackmore também estava fazendo com o Rainbow); "Lady Luck" já é mais swingada, mais a cara da banda, "Gettin' Tigher" mostra de novo o lado mais despojado de Bolin em um riff limpo meio funkeado, com uma interpretação fantástica de Glenn Hughes no vocal. "Love Child" tem um riff Zeppeliano do guitarrista, um dos melhores do Deep Purple, e uma das melhores faixas do disco. Grande interpretação de Coverdale! Glenn Hughes brilha novamente no final do disco com "This Time Around" e "You Keep On Moving". "Drifter" e "I Need Love" mostram o brilhantismo dessa formação, unindo o hard rock típico do Deep Purple com o lado funkeado e mais "solto" de Hughes e Bolin. Infelizmente essa foi uma época de muitos abusos pessoais dentro da banda com drogas e etc; Tommy Bolin acabou falecendo em decorrência desses abusos, e a banda anunciou seu fim, voltando somente em 1984, com outra formação, lançando o disco resenhado acima deste. A turnê desse álbum deixou ótimos registros ao vivo como "Phoenix Rising" e "This Time Around - Live in Tokyo".



#3
Machine Head (1972)





Considerado o disco mais clássico da banda, Machine Head possui os dois maiores clássicos da banda: "Smoke on the Water" com seu inconfundível riff, e "Highway Star", com seus inconfundíveis solos/duelos de Blackmore e Jon Lord. "Lazy" mostra toda a ginga de Blackmore e Jon Lord, acaba sendo a melhor do disco. Às vezes soa como uma longa jam, até entrar Ian Gillan cantando de uma forma marota. "Space Truckin'" é outra das minhas favoritas e Lord domina a canção com o peso de seu teclado; "Never Before" tem o refrão que mais gosto no disco, é a mais rock 'n' roll de todo o álbum. "Pictures of Home" é veloz, comandada já na introdução pelo baterista Ian Paice, com solos empolgantes de Blackmore e Lord. "Maybe I'm Leo" é a mais fraquinha do disco, e eu nem gosto tanto assim dela. Mas o restante do disco a compensa.



#2
Stormbringer (1974)





O segundo disco da formação que mais gosto da banda com David Coverdale e Glenn Hughes, já conta com mais influência dos "novatos", principalmente de Hughes que, de certa forma, "impôs" o seu lado funk no som do Deep Purple, e já na faixa de abertura, "Stormbringer", podemos ver isso. A guitarra de Blackmore dita o ritmo, mas o groove da canção é todo funkeado. "Love Don't Mean a Thing" é linda e leva a banda a outro patamar musicalmente, ótimas interpretações dos dois vocalistas. Sim, dois... fazia parte do contrato de Glenn com a banda que ele cantasse em uma certa percentagem dos álbuns. "Holy Man" e "Hold On" seguem essa linha mais calma da banda, ditada por Hughes, que foi a razão da insatisfação de Blackmore... o "velho" Deep Purple volta em "Lady Double Dealer", um hard rock de primeira e em "High Ball Shooter", que é mais rock 'n' roll. "The Gypsy" é linda, e a primeira e segunda voz juntas formaram um momento único no álbum. Grandiosa! A balada "Soldier of Fortune", uma das mais conhecidas da banda, e até hoje lembrada por David Coverdale nos shows do Whitesnake, encerra o álbum de forma épica.



#1
Burn (1974)





Após a saída de Ian Gillan e Roger Glover, entram em cena David Coverdale e Glenn Hughes para lançarem o melhor disco do Deep Purple, Burn! A faixa-título abre o disco de forma poderosa, com seu riff imponente e Coverdale mostrando a que veio! Ian Paice também dá um show à parte nesta canção. "Might Just Take Your Life" é mais cadenciada e comandada pelo hammond de Jon Lord. "Lay Down, Stay Down" é pesada e quebrada, com ótimos riffs e uns teclados rock 'n' roll de Lord ao fundo às vezes. "Sail Away" é mais calma, e já mostra uma faceta mais funkeada, que se evidenciaria no já comentado Stormbringer. "You Fool No One" é uma das melhores canções dessa fase da banda e conta novamente com uma performance incrível de Ian Paice, que é um dos destaques do disco. "What's Going On Here" traz um Blackmore todo despojado, soltando solos e riffs endiabrados, na canção mais swingada do disco. E aí vem a pérola... a melancólica "Mistreated", com um riff já 'down' do guitarrista, e uma interpretação ainda mais 'triste' de David Coverdale... todos entraram no clima da canção, que é uma das maiores obras-prima do Deep Purple. A turnê de "Burn" apresentava um show fantástico, cheio de improvisações, além de uma banda revigorada. Performances incríveis podem ser vistas/ouvidas em "California Jamming", registro do show histórico da banda no festival California Jam '74.

sábado, 3 de março de 2012

Black Sabbath sem Bill Ward?

Em 11/11/11, o Black Sabbath anunciou - mais uma vez - sua reunião com a formação clássica: Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward; além disso, diferentemente das outras vezes, foi anunciada não só a reunião, mas um álbum de inéditas e uma extensa turnê mundial. Todos esses planos foram significantemente atrapalhados pela doença de Tony Iommi, um linfoma, que fez o grupo cancelar a turnê - mas ainda segue trabalhando em novas composições para o eventual álbum novo de estúdio.
Porém, nesse meio tempo, outra polêmica surgiu: Bill Ward, o baterista, anunciou que estava pulando fora do barco pois seu contrato estava "injusto" quando comparado ao dos outros membros. O que ele quis dizer com isso? Provavelmente estava falando em valores... No mundo que todo fã sonha, os quatro "sabátis" receberiam igualmente, o cachê seria dividido em 4 partes iguais. Mas as coisas não funcionam assim... Ozzy deve ganhar mais que todos juntos, não só a parte "Sabbath" da coisa, mas por todo o resto que envolve "ser" o Ozzy Osbourne. Tony Iommi foi o cara que manteve o grupo existindo durante todos esses anos desde 1969, seja com Ozzy, Dio, Gillan, Hughes, Gillen, Martin, Dio, Martin, Ozzy, Dio e agora Ozzy de novo, além de ser o cara dos riffs, dele parte o início de toda canção... Geezer sempre foi a força compositora por de trás de banda, quando se trata de letras e melodias. Miticamente, as pessoas sempre imaginam o vocalista de uma banda como compositor das letras. Em casos como o do Black Sabbath na formação clássica, isso não existe. O baixista sempre foi o letrista oficial da banda. Ozzy contribuiu com poucas letras naqueles oito anos que a formação clássica lançou álbuns de estúdio. Em uma clássica entrevista de 1980, publicada recentemente na edição Classic Series 1980, da revista Roadie Crew, Tony Iommi afirma sobre Ozzy:

"Ozzy nunca escreveuy nenhuma música. Ele nunca conseguiu. 'Who Are You', do Sabbath Bloody Sabbath, foi a única faixa que eu acho que Ozzy compôs. Ele apareceu com as melodias dela."


Tony também já afirmou em outras entrevistas que Ozzy também tinha dificuldades não só com as letras, mas com as melodias vocais em cima de seus riffs, e que às vezes ele simplesmente cantava a melodia vocal junto com o próprio riff, exemplos clássicos: "Iron Man" e "N.I.B.".

E quanto a Bill Ward? Apenas o baterista? Talvez não seja uma força criativa como Tony e Geezer, e não tenha a força de carisma e nome que tem Ozzy, mas é um dos quatro membros originais, além de ser um dos bateristas mais originais dos anos 70. Ofuscado por colegas de geração como Bonham e Moon, Ward nunca teve seu talento como instrumentista devidamente reconhecido. Claro que o fato do baterista não ter feito carreira em nenhum outro grupo enquanto esteve fora do Sabbath ajuda nisso. Uma vez li algo a respeito do baterista que me deixou intrigado e comecei a reescutar os velhos álbuns do Sabbath para reparar: alguém, juro que não lembro quem, afirmou que muitas vezes Bill parecia estar tocando uma música, e o resto da banda outra. Percebi que algumas vezes isso parecia verdade e era completamente genial.  Fora isso, suas complicações de saúde (graves - problemas no coração) o prejudicam na execução de seu serviço, sendo necessário sempre contar um "step" em turnê caso algo aconteça com o coração do velho Bill. Vendo os vídeos da turnê de 2005, está tudo ok. A banda estava bem no palco. Hoje em dia, 7 anos depois, não sei como seria. Talvez não role nem os ensaios para ver se está tudo ok com a performance do baterista. Espero que aconteça pelo menos a oportunidade.

Sei que é um romantismo até exagerado dizer que "sem Bill Ward, sem Black Sabbath", principalmente quando foi o guitarrista que carregou sempre o nome da banda. Mas não vejo exagero em dizer que: "Black Sabbath original sem Bill Ward não rola". Torço para que ambas as partes cheguem a um acordo e Bill se reintegre ao trio em Londres para a gravação do disco. Tenho certeza que pelo menos alguém está lutando por isso. Não sei se Ozzy, Geezer ou Tony estão realmente focados em ter Bill. Não sei se pra eles tem alguma diferença significativa. Mas para os fãs tem. Certamente se eu fosse ver um show do Black Sabbath seria lindo e maravilhoso com qualquer baterista que estivesse ali, mas sem o Bill Ward ia ficar aquela coisa: "foi foda... mas não teve o Bill Ward". Sinceramente, não gostaria de ver Vinny Appice ali, muito menos Tommy Clufetos (tocar de lencinho? sem camisa? NADA a ver com Black Sabbath), nem qualquer outro baterista. Enquanto no palco estiverem Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler, na bateria tem que estar Bill Ward.




Sheik Yerbouti: 33 anos!

Hoje, 03 de março, completa aniversário aquele que é para mim o melhor disco de Frank Zappa: Sheik Yerbouti.
Ninguém me pergunta isso porque não sou nenhum Fábio Massari (especialista em Zappa), mas eu conheço todos os discos dele, já escutei todos de cabo a rabo, e o que eu mais escutei foi esse, mas se me perguntassem qual disco do Zappa eu indicaria para alguém que não conhece seu trabalho, certamente seria esse.
"Sheik Yerbouti" é um disco mais 'roqueiro', talvez por isso seja de mais fácil assimilação do que álbuns mais complexos e jazzistas/fusion como "The Grand Wazoo" ou "Hot Rats", que não são indicados para quem vai começar a ouvir o Frank agora.
Lento e com sua voz de canastrão, Zappa abre o álbum com "I Have Been In You", que satiriza o hit "I'm In You", de Peter Frampton, que dá caminho para a clássica (adjetivo que poderia usar para todas as canções, então vou tentar que esta seja a primeira e última vez nesse texto) "Flakes", cheia de mudanças de tempos, nuances e já mostrando um performance monstruosa do baterista Terry Bozzio, que gravou o álbum todo. Na sequência uma trinca sensacional, que fica ainda melhor ao ouvi-las uma após a outra, sem parar: a marota "Broken Hearts are For Assholes", a rápida "I'm So Cute" e a rockabilly "Jones Crusher", que tem um final épico. Um dos maiores hinos do falecido Zappa está aqui: "Bobby Brown Goes Down", com sua específica e satírica letra. A animada "Baby Snakes" empolga demais, dando espaço para a quase agressiva "Tryin' To Grow a Chin", que tem uma das melhores performances de Bozzio na sua carreira. "City of Tiny Lights" e "Dancin' Fool", que foi indicada ao Grammy e se tornou uma música popular da disco music, embora ela tire sarro desse estilo, são outros destaques absolutos. O disco ainda tem diversas outras canções que também são sensacionais e passeiam pelos vários estilos musicais que o Zappa sempre dominou, como "Rat Tomago" e "Jewish Princess", que trata com humor sobre o estereótipo judeu.
Eu, se fosse alguém que não conhece a obra do Zappa, começaria por esse aqui sem nem pensar duas vezes.
Estão aqui todos os elementos que fizeram do Zappa um gênio (quiça o maior da música moderna): a inteligência, a complexidade de passear por vários estilos sempre sabendo o que está fazendo, o humor certeiro sem rodeios, a técnica, o feeling, a grandiosidade da obra.








Frank Zappa - Vocais, guitarra solo, compositor, arranjador, produtor
Adrian Belew - Guitarra base, interpretação de Bob Dylan em "Flakes"
Patrick O'Hearn - Baixo e vocais
Terry Bozzio - Bateria e vocais
Ed Mann - Percussão e vocais
Tommy Mars - Teclados e vocais
Andre Lewis - Teclado e vocais
Peter Wolf - Teclado
Davey Moire - Vocais
Napoleon Murphy Brock - Vocais de apoio
Randy Thorton - Vocais de apoio
David Ocker - Clarinete

sábado, 18 de fevereiro de 2012

TOP 5 - Dream Theater

A banda que elevou o status do metal progressivo, fazendo uma mistura de Metallica com Rush, com porções grandes de Pink Floyd e Iron Maiden, o Dream Theater tem uma discografia bastante regular, quase sem tropeços, e ao mesmo tempo álbuns definitivos para o estilo, que certamente estarão na listagem abaixo.


#5
Train of Thought (2003)


A já clássica, pesada e agressiva, "As I Am" abre o disco de forma certeira, dando o caminho para o primeiro grande épico do disco: "This Dying Soul", que faz parte da "Alcoholics Anonymous Suite", canções que falam sobre o problema do então baterista do grupo, Mike Portnoy, com a bebida e os 12 passos que o ajudaram a largar o vício. Com grande refrão e performance do baterista, a canção é um dos pontos altos do álbum. Outro épico do disco é a crítica "In the Name of God" (nem preciso dizer em relação que ela é crítica), que tem um groove muito bom e já virou hino entre os fãs. "Honor Thy Father" é uma canção agressiva, tanto no instrumental quanto na letra, que Portnoy escreveu para seu padrasto; palavras do baterista: "não sou muito bom em escrever canções de amor, então escrevi uma de ódio!". "Stream of Consiousness" é uma longa instrumental que não perde o pique em momento nenhum, sendo empolgante tanto em estúdio quanto ao vivo. Essa quinta posição, pra mim, é uma disputa muito grande entre esse álbum e o Six Degrees of Inner Turbulence, mas hoje foi a vez de Train of Thought passar na frente.



#4
Awake (1994)


Considerado o melhor por uma grande parcela dos fãs da banda, o disco mostra um Dream Theater mais agressivo que no álbum anterior. Sempre definiram a banda como se o Rush se fundisse com o Metallica; enquanto o álbum anterior, Images and Words, foi mais 'rushiano', Awake é mais 'metalico'. Contando ainda com a presença do genial tecladista Kevin Moore, que já andava meio distanciado do resto do grupo. Duas letras do disco tratam sobre isso, de duas perspectivas diferentes: "6:00", abertura do álbum com um instrumental bem pesado e quebrado, foi escrita pelo tecladista, enquanto a melódica e grudenta "Innocence Faded" foi escrita pelo guitarrista John Petrucci.
Uma pequena suite faz parte do disco, contendo a instrumental 'cantável' "Erotomania", a progressiva "Voices" e a acústica, e com grandes backing vocals do guitarrista, "The Silent Man". Portnoy já escrevia sobre seu problema com o alcoolismo nessa época, como na agressiva "The Mirror", que forma uma dobradinha espetacular com a também pesada "Lie". Outro clássico, "Caught in a Web" também está presente aqui, completam o álbum "Scarred", "Space-Dye Vest" e a composição de John Myung "Lifting Shadows of a Dream".



#3
A Dramatic Turns of Events (2011)


A expectativa era enorme devido a saída do baterista e líder Mike Portnoy, dando lugar para o experiente, e tão talentoso quanto, Mike Mangini. O Dream Theater não negou fogo e soltou um disco que remeteu os fãs ao seu passado mais glorioso. Na primeira canção, e primeiro single, "On the Backs of Angels", a estrutura é similar a da clássica "Pull me Under", e é um tema forte para a abertura. Nesse novo disco, o Dream Theater compôs muitos temas grandiosos e épicos e se saiu bem em todos eles: "Lost Not Forgotten" e "Outcry" lembram o começo dos anos 90 da banda e são emocionantes. "Bridges in the Sky" já lembra um passado mais recente, com riffs mais modernos e poderosos. "Breaking All Illusions" é simplesmente um hino, e uma das melhores canções da história da banda, com grande performance de Mangini e Petrucci, e letra composta por John Myung. "This is The Life" remete às baladas do álbum Scenes From a Memory, enquanto "Far From Heaven" está na escola de "Wait for Sleep"; e "Beneath the Surface" na de "The Silent Man", tanto que nos shows da tour as canções fazem medley umas com as outras no set list. O único porém do disco é a moderna "Build Me Up, Break Me Down", que poderia entrar no "Systematic Chaos" numa boa. 



#2
Scenes From a Memory (1999)


Sendo um disco conceitual, uma história continuada da canção "Metropolis Pt. I", do álbum Images and Words, Scenes From a Memory é clássico do início ao fim. As duas intros "Regression" e "Overture 1928" preparam o terreno para a forte "Strange Deja Vu", que tem o primeiro dos refrãos grandiosos e pegajosos do disco. A curta e linda balada "Through My Words" serve de introdução para a minha favorita do disco: "Fatal Tragedy", que tem um grande refrão e uma parte instrumental intrincada e empolgante no final. "Beyond This Life" tem um riff simples e pesado, e é um longo épico, com um instrumental no final que tem uma veia Frankzappiana muito forte! "Through Her Eyes" é outra bonita balada, com grande performance do vocalista James LaBrie, e antecede a paulada "Home", que tem um groove sensacional e possui outro daqueles refrãos sensacionais que a banda compôs nesse disco, com grandes backing vocals, como nas já citadas anteriormente também. A instrumental "The Dance of Eternity" é um show à parte, e se encaixa perfeitamente no disco. "One Last Time", a balada favorita dos fãs e emocionante "The Spirit Carries On" formam uma trinca com a fantástica e épica "Finally Free", que tem um final grandioso e emocionante, com grande destaque para Portnoy nas duas últimas, e encerram esse disco que é um clássico absoluto da banda e do metal progressivo. Esse álbum marca a estréia do tecladista Jordan Rudess.



#1
Images and Words (1992)


É muito fácil, e ao mesmo tempo difícil, escrever sobre discos clássicos como esse, que são perfeitos do início ao fim. Aqui todas as faixas são clássicas e hinos de um estilo. O tecladista Kevin Moore dita o clima do álbum com grandes climas e instrumentais durante todo o álbum. A clássica "Pull me Under" abre o trabalho com muito peso e energia. Logo depois vem uma balada, "Another Day" com uma performance incrível do vocalista. "Take the Time" é bastante melódica e quebrada, com grandes linhas vocais de James também, que ao lado do tecladista, começa a aparecer com destaque no disco. "Surrounded" é de arrepiar, ao mesmo tempo que é pegajosa, é técnica e instrumentalmente complexa. A coisa começa a ficar séria a partir daqui, porque a próxima é o maior clássico da banda: "Metropolis Pt. I", a canção que define a banda, a melhor maneira de apresentar o Dream Theater para alguém, a melhor maneira de fazer alguém entender o que queremos dizer quando falamos que Dream Theater conseguiu unir o Metallica com o Rush. John Petrucci dá as cartas nesse tema, ele passeia pela composição com timbres perfeitos, riffs sensacionais, harmônicos, linhas melódicas e tudo mais. "Under a Glass Moon", outro hino épico, é a seguinte e Mike Portnoy mostra toda sua técnica segurando a onda durante toda a canção e ainda fazendo uma base perfeita para um dos solos de guitarra mais bem encaixados que tem, que foi o que Petrucci conseguiu nessa canção. "Wait for Sleep" é uma balada curta, composta por Kevin Moore. Interpretação muito emocionante de LaBrie, novamente. Serve de introdução para a derradeira e absoluta "Learning To Live", outra das longas e quebradas do disco, com instrumentais perfeitos, além de também conter passagens bem Zappianas ali pelo seu final. Grande performance, grande disco. Não tem pontos baixos. Todos os membros da banda se destacam, mas esse álbum é de Moore e LaBrie como um todo.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

TOP 5 - Black Sabbath

#5
Headless Cross



Embora ainda muito subestimada pelos fãs, a "fase Tony Martin" foi uma das mais longas (quase 10 anos - só perdendo para a fase Ozzy) e contém grandes discos. A estréia em The Eternal Idol já foi excelente, mas em Headless Cross a banda lançou um disco definitivo para aquela fase do conjunto. Tendo o grande Cozy Powell (Rainbow, Jeff Beck, Whitesnake, ELP entre outros) na bateria e Laurence Cottle no baixo, junto com Tony Iommi e o já citado vocalista, o Sabbath lançou o álbum em abril de 1989. Produzido por Tony e Cozzy, o já clássico clima soturno domina o disco, seria a trilha sonora perfeita para um bom filme de terror, principalmente com os climas que Geoff Nicholls faz no teclado durante todo o LP, já começando na introdução nada auto-explicatória "The Gates of Hell", que precede o hino, e faixa-título do álbum, a cadenciada "Headless Cross", que como um típo clássico do Sabbath tem uma letra sinistra e um ótimo riff de Iommi, além de uma interpretação bem teatral e qualificada de Tony Martin´(aliás, vejo esta faixa como uma espécie de "Heaven and Hell - Part 2" em todos os sentidos). "Devil and Daughter" dá uma acelerada no álbum com riffs cavalgados, vocais agudos e Cozy segurando a onda lá atrás. "When Death Calls" é um épico dramático do Sabbath, com participação de Brian May, guitarrista do Queen, fazendo um solo de guitarra. A minha favorita do disco é "Kill in the Spirit World", talvez a mais comercial do álbum, incrivelmente não foi trabalhada como single e nem tocada ao vivo. Tem um clima de hard rock, uma levada "pra cima" e uma performance sensacional do vocalista com agudos incríveis. "Call of the Wild" segue a linha da anterior, com uma pegada mais comercial, não deixando de sair do clima do álbum. A pedrada "Black Moon" e a lenta "Nightwing", com um trabalho sensacional de Cozy, encerram Headless Cross de maneira empolgante.



#4
Master of Reality



O terceiro disco do Sabbath só tem clássicos do início ao fim (é até desnecessário escrever isso sobre aqueles álbuns...), a abertura já é com a ode à erva "Sweet Leaf", que, segundo a lenda, na introdução as tosses são de Tony Iommi se engasgando com um baseado. "After Forever", com uma letra crítica à religião, tem uma levada empolgante e abre o espaço para uma lavada de clássicos: o tema instrumental de Iommi "Embryo" serve de introdução para o hino "Children of the Grave", uma das maiores porradas já compostas por Tony Iommi (embora a disputa seja dura...), presença obrigatória em qualquer show da banda, ao menos com Ozzy nos vocais. O guitarrista aparece novamente com outro belo tema instrumental chamado "Orchid", que precede um dos seus mais soturnos riffs: "Lord of this World", uma das canções mais espetaculares de toda a discografia da banda com mudanças de andamento e o baterista Bill Ward se destacando também, sem mencionar o baixo "gordo" de Geezer comandando todas as levadas. "Solitude" é calma, tendo apenas Ozzy cantando sobre um instrumental dedilhado de Iommi e Geezer. Aliás, uma performance ótima de Ozzy nessa canção. O encerramento é com a música que eu gosto de chamar de "a mais pesada do mundo": "Into the Void" é quase como tomar um soco na cara, não consigo imaginar nada mais pesado que esta canção. Tony Iommi saca do seu arsenal um dos seus mais violentas e brutais riffs, com Geezer ao fundo soltando aquele baixo gordo que passeia pela canção toda. Um final épico. Talvez o melhor final de todos os discos.



#3
Heaven and Hell



O ano: 1980 e a situação era: Ozzy demitido da banda por seus intermináveis problemas com as drogas, Geezer tendo dias difíceis com seu divórcio, Bill Ward também tendo problemas com bebidas e Tony Iommi sofrendo pressão da gravadora para um novo disco do Black Sabbath. A "NWOBHM" (New Wave of British Heavy Metal) dominando o cenário. Um encontro em um bar de Los Angeles junta Tony com Ronnie James Dio, ex-vocalista do Rainbow e Elf, faz rolar o convite para alguns ensaios e começam a surgir as primeiras composições. Com novo vocalista e fôlego retomado, o Sabbath entrou na nova era do heavy metal com os dois pés na cara das pessoas: o disco abre com "Neon Knights", uma veloz composição com grandes riffs e solos. "Children of the Sea", a primeira composta pela nova formação, dá sequência e mostra a voz de Dio limpa e cristalina numa semi-balada que é um dos hinos dessa fase da banda. A básica "Lady Evil", em que Tony Iommi detona o seu wah wah, abre o caminho para um dos maiores clássicos da banda, a faixa-título. Com uma letra filosófica de Dio, um andamento lento comandado pela base de Geezer e o riff sensacional de Tony, a canção conduz o ouvinte até um final "speed" épico, com o vocalista dando um show de interpretação. Sem dúvidas uma das maiores canções de heavy metal da história. As ótimas "Wishing Well" e "Walk Away" mantem o clima do álbum lá em cima, tendo entre elas a absoluta "Die Young", com uma introdução toda climática 'do mal', uma martelada ao estilo da faixa de abertura que logo se tornou hino também. A 'bluesy' "Lonely is the World" fecha esse clássico, tendo um dos melhores (e preferidos do próprio guitarrista) solos de Tony Iommi.




#2
Paranoid



O segundo álbum do Black Sabbath dispensa maiores comentários quando se olha o track-list do disco. A abertura é o hino anti-guerra "War Pigs", com suas levadas e melodias de fazer o estádio inteiro cantar junto, fora o clima 'pesado' na introdução. "Paranoid", o grande hit do Sabbath está aqui também, com sua fantástica letra sobre loucura. "Planet Caravan" é aquele momento calmo do disco, mais ou menos como a "Solitude" foi para o Master of Reality, o disco seguinte. A seguir vem outro dos grandes clássicos do Black Sabbath: a grandiosa "Iron Man", com o seu famoso riff, uma das maiores criações da história da música em geral. "Electric Funeral" traz um riff lento, com muito efeito wah wah, de Tony, com as já clássicas mudanças de andamentos no meio da canção, caindo depois no derradeiro final voltando a levada original. "Hand of Doom" traz um início calmo, que depois cai em riffs típicos do Black Sabbath, e momentos em que a cozinha Geezer/Ward se mostra muito eficiente também em estúdio, o que abre espaço para escrever sobre o tema seguinte: Rat Salad, uma canção instrumental que o baterista Bill Ward dá um show à parte, e que mostra como o mesmo é desvalorizado em relação aos seus colegas de geração. "Fairies Wear Boots" encerra a bolacha com mais um riff cheio de efeitos, levadas empolgantes e viradas sensacionais de Bill Ward, além de alguns solos blueseiros de Tony. Um grande tema, um grande encerramento. Paranoid é o melhor álbum da fase Ozzy.




#1
Born Again



Só conheço uma pessoa (pelo menos até onde eu sei) que compartilha comigo a opinião de que esse é o melhor álbum do Black Sabbath, o radialista e jornalista Vitão Bonesso que colocou esse álbum como um dos dois imperdíveis da banda em uma revista sobre heavy metal. Muita gente pensa que nós preferimos esse disco em relação aos demais pela junção de estrelas; aqui estão Ian Gillan, já com sua história no Deep Purple, se juntando ao trio de ferro do Sabbath: Iommi/Butler/Ward. Mas não é só por isso, e sim pelas canções que são extremamente empolgantes. 
"Trashed" é um soco no estômago que o Sabbath não fez nem com Ozzy, nem com Dio. Chegou perto, bem perto, mas não como essa, que tem um video clipe hilário e uma letra, convenhamos, bem infantil. Talvez por isso a banda nunca a tenha tocado ao vivo. "Stonehenge" é um tema climático, daqueles típicos do Black Sabbath, quase assustadores, que serve de introdução para a pesada "Disturbing the Priest", com seu clima caótico e Gillan berrando como nos velhos tempos. Um refrão empolgante, como vários em todo o disco. "The Dark" é outro tema que serve de introdução, dessa vez para "Zero the Hero", um épico de quase oito minutos, lento, arrastado, com um riff 'do mal' de Iommi, uma das melhores do álbum. "Digital Bitch" retoma o clima da canção de abertura, rápida, com um riff matador e um refrão empolgante, é um dos hits do disco entre os que cultuam esse álbum. "Born Again" é quase uma balada, canção bem lenta e com uma interpretação fantástica de Gillan. O sentimento de tristeza ronda essa canção. Fantástica. "Hot Line" vem na escola das rápidas e agressivas, um riff gordo de Tony comanda a música com uma levada empolgante, solos matadores, performance vocal incrível de Gillan e ótimo refrão.  O encerramento é com a cadenciada "Keep It Warm", que também tem um refrão ótimo e uma levada muito boa. O único contra desse disco é a produção, que faz parecer que o disco foi gravado no porão de um castelo sujo (ops...)... 
A fase de Ian Gillan no Black Sabbath rendeu apenas esse disco e uma pequena turnê, mas certamente deixou para a história um grande disco, o mais brutal já gravado pelo vocalista e um dos grandes clássicos do Black Sabbath.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Different Kind of Truth: O verdadeiro Van Halen III

Pego emprestado de um post do Poeira Zine no Facebook o título desse post. "A Different Kind of Truth" é o verdadeiro Van Halen III, uma sequência natural dos dois primeiros álbuns da banda, Van Halen (1978) e Van Halen II (1979). Em 1998, a banda contando com uma terceira encarnação, com Gary Cherone nos vocais, lançou o subestimado e diferente álbum nomeado "Van Halen III"; porém, é agora, em 2012, que escutamos um disco que parece ter sido feito para ser nomeado "Van Halen III".


Com o retorno de David Lee Roth aos vocais, se reunindo ao trio da família Van Halen, já que agora o baixista da banda não mais é Michael Anthony, e sim Wolfgang Van Halen, filho de Eddie Van Halen, sobrinho do baterista Alex Van Halen, a banda lança seu 12° disco de estúdio, o 7° com o vocalista, e o primeiro depois de 28 anos do disco 1984 (1984).

Lançado já há alguns dias, o single da faixa Tattoo foi o abre-alas desse álbum... uma canção que tem toda a ginga canastrona do vocalista David Lee Roth, e de cara já vemos que o mestre Eddie Van Halen continua o mesmo... seu timbre característico - embora com mais peso - dá o tom da canção que, como eu já afirmei na época de lançamento, é ótima, mas precisa chegar a um "ápice" depois do belo refrão. Não deixa de ser um ótimo cartão de visitas para o novo disco.

She's the Woman, assim como a anterior, é uma releitura de temas antigos (1976-78) da banda que nunca haviam sido trabalhadas em discos oficiais de estúdio e tem aquela "cara" do Van Halen da primeira fase e um destaque imediato: o som do baixo de Wolfgang está bem destacado, não só aqui como no resto do disco todo. Um som gordo, potente.

China Town Bullethead são as "irmãs" do disco, ambas são filhas diretas dos dois primeiros álbuns da banda... estão lá os riffs cortantes e faiscados de Eddie, os dois bumbos com timbre característico de Alex e os vocais potentes de David que, aliás, é o grande destaque do disco tendo, talvez, sua melhor performance na carreira. A primeira tem um refrão marcante!

Se algo nesse disco chegar perto de ser uma balada é Blood and Fire, e repito, eu disse "chegar perto"... é a música mais tranquila do disco. É bem provável que seja um futuro single do álbum por ser festeira e ter belas melodias.

You and Your Blues será aquela que agradará aos fãs do Van Hagar. Poderia estar no "Balance" ou no "For Unlawful Carnal Knowledge" com os vocais de Sammy Hagar e ninguém notaria nada. Outra que achei na mesma pegada foi a última faixa do disco: Beats Workin'.


As Is tem um solo maravilhoso do guitarrista e riffs pesadíssimos; e por falar em riff, Honeybabysweetiedoll tem um riff que lembra, não tão de longe, o de 'Gates of Babylon' do Rainbow e canção toda tem um Q de grandiosa. The Trouble With Never, Outta Space, Stay Frosty e Big River são todas grandes hard rocks típicos do Van Halen.

Coisas que são desnecessárias ficar destacando ao falar de cada faixa (embora tenha feito vez ou outra): a performance sempre incrível de Eddie que, parece estar recuperado dos problemas pessoais, ou ao menos não os deixa mais interferir no seu trabalho; o baixo presente e marcante de Wolfgang; o timbre clássico e a mesma pegada classuda de sempre de Alex Van Halen, que continua sendo top 5 dos bateristas de heavy metal/hard rock de todos os tempos e a brilhante interpretação do sempre showman David Lee Roth durante todo o álbum.

Ainda é cedo pra dizer se esse álbum é melhor do que alguns dos seis anteriores com David Lee Roth, mas que é um disco que pode-se colocar junto, na mesma prateleira, com os clássicos, sem dúvidas! Após escutar o álbum, e mesmo sendo um fã maior da fase Van Hagar, aqui escrevo: o verdadeiro Van Halen III está em "A Different Kind of Truth".